Soube há bocado ao ver o telejornal que é intenção do CDS, a obrigatoriedade de pagamento de taxas moderadoras pelas pessoas que queiram abortar. Refere Teresa Caeiro que é uma questão de equidade. Se qualquer outro paciente tem que pagar taxas moderadoras, também a pessoa que aborta o deve fazer. No entanto esta medida não é consensual. O PS sustenta a ideia de que a medida sugerida não merece aplicabilidade dada a conjunta económica que o país vive. Algo reiterado pelo Departamento Nacional de Mulheres Socialistas que consideram a atitude do CDS como sendo populista, uma vez que se aproveita desta medida para introduzir o debate sobre o aborto. Reforça este Departamento a sua posição afirmando que esta medida é inaceitável quando o Governo ataca o Serviço Nacional de Saúde. Já o PCP, sem surpresa, defende que o pagamento de taxas moderadoras é inaceitável.
Ora, a meu ver, parece-me que a medida em causa é coerente. Não me parece aceitável que a realização de abortos seja isenta de pagamento da referida taxa, se mais nenhum procedimento hospitalar o é. Qual é a ratio para tal diferença de tratamento? Não me parece que exista. Discutia-se, justamente esta questão, à mesa de jantar. A única razão para se abster algum tipo de operação, consulta, vacinação, do pagamento da taxa é a necessidade de o Estado proteger e promover algum destes procedimentos. Ora, não se crê que ao Estado "interesse" promover a prática de abortos .A medida deve ter lugar.