terça-feira, 3 de abril de 2012

O TGV ou, como lhe chamam nuestros hermanos, el AVE

Parece que a polémica em torno do projecto do TGV (o transporte gaulês veloz, segundo os livros de Astérix) vai além fronteiras. Noticiou o El País, ainda em Março, que na sequência do abandono português, a Ministra das Obras Públicas espanhola, tornou pública a vontade do Governo espanhol em continuar com a construção da obra que, de resto, é apoiada pelas autoridades autonómicas. No entanto, esta não é posição consensual, uma vez que, dada a posição de Portugal, a linha apenas chegará a 250000 habitantes, de Cáceres e Badajoz, além de que ainda não foi gasto 10% do montante previsto para a construção do AVE. Especial realce, creio merecer, esta parte da notícia "[El] comissario europeu de Transportes [...] Slim Kallas [...] Destacó además que Bruselas no detecta ningún conflicto con Portugal por haber anulado el proyecto, ya que la conexión se mantiene aunque a velocidades inferiores". Pelos vistos, a decisão portuguesa não está a suscitar muita indignação em Espanha quer pelos governantes que expressam a sua tranquilidade, quer pelos que entendem ser desaconselhável apostar no AVE que vêm, no afastamento de Portugal, motivação extra para um abandono espanhol. Cumpre, no entanto, suscitar duas questões diversas. Desde logo, parece-me que se o PS formar governo nos tempos mais próximos, voltaremos a esta questão, mesmo que se dê por encerrada por ora. Outro ponto é o adiamento constante que tanto a crise como a falta de decisão consensual têm patrocinado. É incrível que um projecto como o TGV, cuja conclusão se encontrava prevista para 2013, não tenha em 2012 uma parte do trabalho para amostra. Bem, na realidade, é melhor assim, já que se a vontade é a de que não se avance com o transporte de alta velocidade, tornar-se-ia inútil ter uma linha de TGV. De resto, também o Aeroporto que já esteve para ser na Ota mas que passou para Alcochete, é um caso claro deste fenómeno de adiamento. De qualquer modo, devemos ter presente que uma crise como a actual não permite o esforço que estas obras provocariam. A altura não está para aventuras de investimento, e o plano da troika, a ser seguido, apenas admite redução de despesas, aumento de receitas, mas não aumento do crescimento. Aguardemos.

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